13 setembro 2010

Mercado de trabalho para jovens iniciantes

Patrícia Almeida

Patrícia Almeida
Mestre em Administração, pós-graduada em Gestão de Pessoas pela Fundação Dom Cabral e Psicóloga atuante na área de Recursos Humanos há 14 anos.

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Pelo que se observa, com algumas exceções, atingir a maior idade é uma meta comum entre crianças e pré-adolescentes que, por razões diversas, compreendem ser o momento em que encontrarão maior autonomia e respeito em casa e, em muitos casos, no mercado de trabalho, já que para aqueles que ainda não conseguiram um emprego, esse é o momento crucial não só para trabalhar em uma empresa, mas ter o seu contrato registrado na CTPS.

Neste texto me refiro ao adolescente que precisa trabalhar para o próprio sustento e, em alguns casos, para sustentar a família. É aquele adolescente que está matriculado em escola pública, sem condições que o permita estudar com a tranquilidade e o propósito de ingressar no ensino superior. É o adolescente que vai para a escola, deixando os pais tensos e preocupados com a situação financeira em que se encontram, quando não incomum, deixando pais em situações críticas de alcoolismo ou algo do gênero. São adolescentes que podem trabalhar, conforme o Estatuto da Criança e do Adolescente, de 14 anos a 16 anos na condição de Aprendiz e acima de 16 anos na condição de Aprendiz, com direitos assegurados.

Mas se o espaço em casa muitas vezes não contribui, elevando a auto-estima e o conhecimento desses jovens, o espaço empresarial também tem demonstrado poucas iniciativas nesse assunto, com todo o respeito àqueles que investem nos jovens e, seguramente são uma exceção.

Se por um lado, o jovem relata a célebre justificativa de que "as empresas pedem experiência, mas se nenhuma delas der uma oportunidade, nunca terá a tal experiência". Por outro lado, as empresas deparam-se com a falta de compromisso e de responsabilidade desses jovens ao desempenharem as suas funções e, cada vez menos, abrem as suas portas aos adolescentes iniciantes no mercado de trabalho.

Assim, acaba criando-se uma bola de neve. A empresa contrata um jovem, pagando menos porque ele não é responsável, porém, eis que esse jovem, com baixa orientação dos pais ou porque o dinheiro que recebe mal paga o alimento que consome, acaba desvalorizando o pouco que lhe é oferecido e transformando em verdade a fala de alguns gestores: os jovens em início de carreira são descomprometidos.

E, assim como, a postura inadequada e imatura de um jovem irresponsável é inaceitável; também jornada de trabalho mais extensa do que os demais, a falta da assinatura na Carteira de Trabalho, más condições de trabalho, remuneração inferior aos demais funcionários, mesmo quando desempenha uma função similar, também é uma atitude questionável. Mas, a intenção aqui não é compreender se foi o "ovo ou a galinha quem nasceu primeiro", mas pensar no quanto é possível engajar-se de uma maneira correta e firme. Não há como dar meia oportunidade de trabalho para alguém, bem como não há possibilidade de uma pessoa ser mais ou menos profissional. Neste caso, ou é ou não é.

É claro que quando há um excedente de mão de obra qualificada, fica impossível ao jovem inexperiente competir com os adultos. Mas, bem sabemos, não é o que ocorre em todos os segmentos/áreas. E se o adolescente cometeu algum ato infracional, não há nem com quem discutir. Para os jovens em conflito com a lei, as portas são fechadas. Ponto final. Também não entraremos no mérito dessa discussão.

Diante desse fato, fica difícil a qualquer colunista de jornal, estimular um e outro a se empenharem em suas atitudes. Tanto aos jovens, embora com baixa-estima, cabe maior persistência e seriedade com as oportunidades que lhe são oferecidas, quanto das empresas espera-se maior parceria na formação efetiva de profissionais.

O que chama a atenção é saber, pelos dados do Ministério do Trabalho e Emprego em agosto de 2009, que, do total de 12.558 Aprendizes contratados em nosso Estado, Teófilo Otoni participou desse número com a contratação de 3 (três) Aprendizes, enquanto em Governador Valadares foram contratados 179 aprendizes. Para conferir, acesse: www.mte.gov.br. Ou algum empresário está deixando de informar as suas contratações ao Ministério do Trabalho? Ou de fato, precisamos rever essa incômoda situação.

Se a intenção de sensibilizar os empresários da região a criarem mais oportunidades de trabalho aos adolescentes for atingida, daremos um grande passo. Para ajudá-los a seguir nesse propósito não ficarei só no discurso, porque, diferente de alguns, creio que o papel aceita tudo, mas a consciência não. Até mais!

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